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Há pouco mais de um ano de expedição do Decreto Nº 9.057, de 25 de maio de 2017, norma que atualizou a legislação sobre a regulamentação do ensino a distância no Brasil, houve crescimento de 133% dos polos EAD no país. 


Antes, eles eram 6.583 e passaram a ser 15.394 de acordo com o Ministério da Educação (MEC). Dados mais recentes do Censo da Educação Superior, coletados em 2016 e publicados no segundo semestre de 2017, também apontam que mais de 18% das matrículas no ensino superior são em cursos a distância, alcançando a marca de 1.494.418 em 2016. Em 2006, o percentual de participação da modalidade era de apenas 4,2% do total de matrículas. 

Apesar de o número absoluto de estudantes ingressantes em cursos de graduação presencial (2.142.463) ainda ser superior ao da educação a distância (843.181), o número de matrículas variou positivamente em 297,3% nos cursos a distância entre 2006 e 2016. 

Ainda de acordo com o Censo, o estudante típico da modalidade é do sexo feminino, estuda algum curso de licenciatura na rede privada e tem, em média, 27 anos. 

É o caso da estudante de Pedagogia Núbia Lima da Conceição, de 34 anos. "É vantajoso fazer um curso EAD porque a gente organiza os nossos dias e horários de estudo. Fica mais fácil, ainda mais prático para quem concilia trabalho", destaca. Estudo e trabalho, inclusive, é um binômio constante na vida da estudante por já atua na área, em uma escola da educação básica. A meta principal, portanto, é adquirir a graduação e continuar exercendo a vocação. "Para ser professora é preciso conhecer sobre práticas pedagógicas, de ensino e de metodologia. E eu gosto de estar na sala de aula. Para mim, é o mais atrativo da profissão", afirma a estudante. 

Segundo o Decreto, "as atividades presenciais, como tutorias, avaliações, estágios, práticas profissionais e de laboratório e defesa de trabalhos, previstas nos projetos pedagógicos ou de desenvolvimento da instituição de ensino e do curso, serão realizadas na sede da instituição de ensino, nos polos de educação a distância ou em ambiente profissional, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais"

Os polos são unidades descentralizadas da instituição onde são desenvolvidas atividades presenciais que podem estar localizadas no Brasil ou no exterior. Diante dos números que refletem o crescimento da educação EAD, há ampliação dos investimentos em docentes e também na estrutura das Instituições de Ensino Superior (IES): biblioteca, laboratórios e espaço para provas presenciais estão entre os critérios. 

Com isso, houve ampliação das possibilidades de formação para os alunos que moram longe dos grandes centros urbanos tal como Jader Caetano Barbosa Júnior, graduando em Engenharia Ambiental. "Na minha cidade não existe curso presencial e eu queria fazer faculdade aqui. Por isso, optei por começar um curso de graduação a distância", explica o estudante que mora em Brasilândia de Minas.

From Estado de Minas

 
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Segundo dados oficiais, hoje, o Brasil tem quase 13 milhões de desempregados e quase 40 milhões de pessoas que trabalham no mercado informal, ou seja, sem carteira assinada. 

Gente que, para se sustentar e pagar as contas no fim do mês, se vira como pode. Muitas vezes vender quentinhas é a solução. A comida pronta - a famosa marmita ou prato feito -é vendida a preços bem mais em conta do que comer em um restaurante, o que acaba atraindo clientes que também estão de olho no bolso.  Hoje já são quase meio milhão de brasileiros vendendo comida nas ruas; é a crise dos informais. 



A educação, não importa se é presencial ou a distância, não só ajuda os informais como um país inteiro, pois estimula o respeito, o cumprimento das leis, condena a corrupção, os privilégios e pratica a cidadania; como consequência, desenvolvem-se.

From G1 - Fantástico

[ Modificado: segunda, 10 Set 2018, 19:18 ]
 
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Pense no valor que você paga para ter TV por assinatura ou mesmo um plano de celular. Se o valor te parece muito caro, já imaginou o que poderia ser feito para reduzir o gasto? Entre tudo que faz parte dos custos de uma empresa, o treinamento de funcionários pode ser um dos mais importantes. Dependendo do setor, o preparo da equipe tem um impacto ainda maior na contabilidade da corporação. 


Em telemarketing, por exemplo, a rotatividade é alta, ou seja, o treinamento de novos funcionários é uma demanda constante. Se isso significa aumento nos gastos da empresa, esse incremento, de alguma forma, é repassado aos consumidores. 

Este é apenas um ângulo que serve como referência quando o assunto é a educação de baixa qualidade no Brasil. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) realizou um estudo para analisar o desempenho de estudantes, na faixa dos 15 anos, em conhecimentos básicos de matemática. O Brasil ficou em 58º lugar em um ranking que considera 65 países, atrás da Albânia e Costa Rica. 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fez uma nova análise do estudo e apontou que 67,1% dos alunos brasileiros, com 15 e 16 anos, estão abaixo do nível 2 em matemática, o que representa baixo desempenho na escola e dificuldades futuras de inserção no mercado de trabalho. Aliás, somente 0,8% dos alunos brasileiros atingiram os níveis 5 e 6 na matéria, que são os patamares que exigem cálculos mais complexos. Na China, que aparece em primeiro lugar no ranking, 55,4% dos alunos atingiram esses níveis. 

A própria OCDE analisa que o gasto médio que deve ser feito, por aluno, na faixa entre 6 a 15 anos, é de US$ 50 mil. No Brasil, o valor investido por aluno representa um pouco mais da metade do estipulado: US$ 26,7 mil. 

O mais preocupante quanto a péssima qualidade de educação no país é o impacto disso no futuro. Dados da Conference Board, divulgados em 2015, apontam que são necessários quatro brasileiros para produzir o que um americano faz. A relação é semelhante à que existia ainda na década de 1950. Considerando somente a América do Sul, são necessários dois brasileiros para fazer o que um chileno é capaz. 

Se a qualidade de ensino no Brasil permanecer ruim, não há como diminuir a diferença de produtividade da nossa mão-de-obra quando a comparamos a outros países com níveis educacionais melhores. No futuro, alunos mal preparados representam custos altos para empresas e, consequentemente, produtos e serviços mais caros ao consumidor final. 

Ainda que você tenha tido a oportunidade de estudar em boas escolas e de ter uma boa preparação para o mercado de trabalho, a qualidade de ensino ruim no restante do país é um problema que gera reflexos em cadeia. Mesmo quem acha que está de fora do problema, também está pagando caro pela falta de investimento no que deveria ser a base para o país. Se queremos uma economia mais forte e sólida a longo prazo, é preciso repensar a sala de aula.


From G1 - Blog do Samy Dana

 
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Josh Bersin, diretor da Deloitte Consulting LLP, fundador e editor-chefe da Bersin

Nesta entrevista, Josh Bersin, fala sobre as transformações que estão ocorrendo no segmento de aprendizagem e desenvolvimento e faz uma analise das tendências e desafios que moldarão o futuro da aprendizagem corporativa.

Que mudanças você observou em L&D (área de aprendizado e desenvolvimento) nos últimos 10 anos? 

Há dez anos, estávamos criando programas de elearning que mal funcionavam em dispositivos móveis. O conteúdo do treinamento ainda era conduzido por um instrutor e baseado no modelo ADDIE (Análise, Projeto, Desenvolvimento, Implementação e Avaliação - que representa uma diretriz dinâmica e flexível para a construção de ferramentas de treinamento e suporte ao desempenho). Desenvolvíamos o conceito de aprendizado combinado (agora chamado de aprendizado invertido) para que as pessoas pudessem estudar on-line e assistir a uma aula presencial. Além disso, tínhamos sistemas de gerenciamento de aprendizado muito tradicionais, que organizavam o conteúdo em cursos, programas e currículos. Com a chegada das mídias sociais em nossas vidas, é claro que tudo isso mudou. Funcionários e consumidores agora querem conteúdos pequenos (micro-eLearning), de fácil acesso e que se pareça mais com um mecanismo de pesquisa ou um aparelho de TV. 

De acordo com uma pesquisa realizada pela Deloitte Consulting LLP, de 2016 a 2017, a preocupação dos líderes de RH e de negócios com o aprendizado e o desenvolvimento de carreira disparou em quase 40%. A que você atribui esse crescimento? 

Existem dois grandes impulsionadores de aprendizado hoje. Primeiro, a economia está crescendo, então as empresas estão contratando, treinando e atualizando seu pessoal mais rápido do que nunca. Em segundo lugar, a taxa de mudança em tecnologia, ferramentas e práticas de negócios é de tirar o fôlego. A revolução digital, o crescimento em IA e novos algoritmos, o crescimento no uso de software e toda a automação no trabalho nos forçaram a voltar à escola. Assim, os funcionários e líderes estão com muito apetite por uma aprendizagem moderna e de fácil aprendizado.

Como você promove e constrói uma cultura de aprendizado dentro da empresa? Quais são os principais problemas para uma empresa se tornar uma organização de aprendizado de alto impacto? 

Em todas as pesquisas que fizemos (e fizemos muitas), sempre concluímos que não importa quão boa ou fraca seja sua tecnologia de aprendizagem, é a cultura que importa. Quando uma empresa tem uma cultura de aprendizado - as pessoas tem tempo para pensar, para se desenvolver e para falar sobre seus problemas e erros, de uma forma positiva - as pessoas aprendem. Embora o aprendizado baseado em tecnologia seja importante, não é tão mais importante quanto dar a todos aprendizagem, tempo, recompensas e ambiente para aprenderem no trabalho. As empresas que adotam uma cultura de aprendizado podem adaptar-se, reorganizar-se, mudar para novas áreas de produtos e crescer de maneira muito mais sustentável.

Qual é a chave para criar um programa de L&D de sucesso e que realmente impacta nos resultados da empresa? 

Eu escrevi dois livros sobre treinamento corporativo, porém não é um processo simples. O primeiro passo é realmente diagnosticar o problema que você está tentando resolver. O seu programa de treinamento de vendas é projetado para ajudar as pessoas a vender? Aumentar vendas? Ou aumentar as taxas de fechamento de negócio? Quanto mais clara e prescritiva for a definição do problema, mais fácil será identificar realmente os objetivos e as lacunas de aprendizado. 

O segundo passo é utilizar o que hoje chamamos de design thinking (antigamente chamávamos de consultoria de desempenho) para entender o ambiente de trabalho, as habilidades existentes, o histórico educacional e o ambiente gerencial. Um programa de treinamento sozinho não resolverá um problema se não reforçar e suportar todo o ambiente de trabalho. Isso também significa entender que tipo de experiência de aprendizagem realmente prenderá os funcionários e fará com que eles prestem atenção. E isso também envolve entrevistar pessoas, para ver quais lacunas existem. 

Em terceiro lugar, deve-se construir pequenos conteúdos, fáceis de absorver, interativos e que produzam um resultado de aprendizado. Por isso, a micro-aprendizagem, a realidade virtual aumentada, os chatbots (programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas) e vídeos são abordagens realmente interessantes. Mas, muitas vezes é necessário um exercício, simulação ou projeto face a face. Se você fizer todo esse trabalho, seu programa realmente gerará valor. Sempre incentivo os líderes de L&D a avaliar o aprendizado perguntando aos funcionários você recomendaria isso? e usou? Esse tipo de análise prática, ajuda você a permanecer na realidade e não gastar muito tempo criando conteúdos que talvez não realmente impulsione o resultado do negócio.

Como as empresas podem selecionar e aplicar a tecnologia de uma maneira que realmente envolva os funcionários em seus programas de aprendizado? 

Como será realmente fazer esse curso? Será que vai caber no fluxo de trabalho? O aluno vai se divertir e se sentir motivado a concluí-lo? Será que vai ajudá-lo a avançar na sua carreira? Ele fornecerá todos os tipos de aprendizado necessários? Todas essas questões representam a empolgação e as oportunidades para que os líderes aprendam a construir algo realmente incrível para as empresas. Uma empresa de petróleo e gás que eu conheço construiu recentemente um mundo virtual em 3D para ensinar aos funcionários sobre geologia, história de rochas e sedimentos e os diferentes tipos de química que entram na formação de combustíveis fósseis. A experiência é mais fascinante que um filme e extremamente memorável. Esse tipo de programa seria entediante em uma sala de aula e provavelmente chato no elearning tradicional, mas usando a realidade virtual e a animação em 3D, isso o tornava atraente e muito memorável.

Pesquisas indicam que os indivíduos agora estão trabalhando mais e estão mais distraídos e menos produtivos do que nunca. Em um cenário em que os funcionários são sobrecarregados por informações, como as empresas podem facilitar o aprendizado contínuo? 

Você pode me ensinar apenas o suficiente para resolver o meu problema sem me forçar a concluir um curso quando não precisar dele? Essa é a mágica de uma experiência moderna de aprendizado hoje. 

Quais tendências irão definir o futuro da aprendizagem corporativa? 

Em resumo, eu diria que o aprendizado corporativo é mais importante do que nunca. Hoje, temos uma grande quantidade de novas tecnologias, terminologia e conceitos para ensinar as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, queremos ensinar às pessoas como fazer melhor. Esses programas de aprendizado por desempenho são sempre personalizados e precisam refletir o que funciona na sua empresa. Portanto, nosso trabalho em L&D é aplicar todas as novas tecnologias e abordagens para melhorar o desempenho de nossa empresa. Por fim, eu diria que a inteligência artificial, os chatbots, o vídeo e a realidade virtual mudarão significativamente o aprendizado nos próximos anos. Agora temos algoritmos que podem observar o que funciona melhor, comunicar conosco em linguagem humana e nos mostrar como fazer algo que pode ser caro ou perigoso no mundo real. Eu recomendo fortemente que os profissionais de L&D experimentem essas novas ferramentas, muitos se tornarão as tecnologias e soluções mais poderosas no futuro. E, claro, não tenha medo de investir em novas plataformas. Agora é a hora de procurar novas plataformas que ofereçam o aprendizado que as pessoas desejam e aspiram no ambiente de trabalho sempre ativo de hoje.

From elearnmagazine

[ Modificado: segunda, 27 Ago 2018, 19:36 ]
 
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Nada de colegas de classe. Nem de professor à frente da sala. As aulas estão na tela do computador na forma de vídeos e podem ser vistas quantas vezes forem necessárias no lugar e no horário mais convenientes. Mas, atenção: há provas e trabalhos como qualquer curso e exige-se disciplina extra de estudo. Um forma de aprendizado existente há quase 60 anos anuncia novos contornos para o ensino superior no Brasil. O elearning tem sustentado o aumento de matrículas na graduação tendo. A expectativa é de que, diante de um terreno fértil moldado por nova regulamentação do setor, crise econômica e mudanças nas regras do financiamento público estudantil, a EAD saia do patamar atual de 18,6% para 50% do total de matrículas em faculdades e universidades daqui a pouco mais de 10 anos, se igualando aos números do ensino presencial.


De 2010 a 2016, as matrículas da educação a distância em instituições particulares tiveram um salto 4 vezes maior que as registradas no ensino presencial. Os números estão no estudo Educação Superior: contexto e perspectivas, feito pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) em parceria com a empresa de pesquisas educacionais Educa Insights. O levantamento usou dados do Censo da Educação Superior, feito anualmente pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) com o objetivo de fazer um diagnóstico da educação superior.

No período analisado, a evolução das matrículas presenciais em instituições particulares foi de 11,58%, ante 45,33% verificado na EAD. Em números absolutos, o ensino fora da sala de aula convencional representa ainda menos de 1/4 do total de matrículas em universidades e faculdades, mas, num período de 7 anos, a quantidade de alunos que optaram por estudar em casa dobrou. Já aqueles que foram para a sala de aula, apenas 10%. Quando analisado ano a ano, a média de crescimento foi de 2,8%. Enquanto a modalidade presencial registrou por ano 1,8% de aumento, a distância alcançou 6,4%.

As informações referentes aos últimos dois anos (2015 para 2016) são ainda mais reveladoras: as matrículas na graduação tiveram crescimento tímido de apenas 0,18%. E, mesmo assim, puxadas pela EAD: enquanto nos cursos presenciais a queda foi de 2,6%, na modalidade distância o crescimento foi 61 vezes mais que a média geral, o que representa um percentual de 11%. De acordo com o diretor-executivo da Abmes, Sólon Caldas, o impulso foi proporcionado pelos cortes no Programa de Financiamento Estudantil (Fies), ocorridos em 2015. “O corte na política pública refletiu no presencial, afirma. A aposta é de que a retração do presencial será verificada no próximo Censo para o período 2017-2018. “A taxa de matrículas só será positiva se a EAD puxar novamente.”

“Primeiro, a restrição de financiamento do governo reduziu a possibilidade de os alunos menos favorecidos financeiramente terem acesso ao ensino presencial. Segundo, o decreto no fim do ano passado regulamentando a EAD possibilitou a abertura de polos para instituições que demonstram qualidade. Haverá, assim, mais oferta dessa modalidade em municípios e regiões onde ela ainda não estava acessível”, afirma. O Decreto 9.235, de 15 de dezembro de 2017, dispõe sobre a regulação, supervisão e avaliação das instituições de educação superior nas modalidades presencial e a distância. “O decreto desburocratizou o processo, que era muito engessado e não permitia a flexibilidade que as mudanças na sociedade requerem. As mudanças permitem inovar e atender à demanda de mercado e da população em geral. Todos os atores envolvidos precisarão se adequar e reformular para receber os alunos num novo contexto. Mas, sociedade, governo, alunos e instituições devem estar atentos para uma educação de qualidade”, ressalta.

A expectativa de crescimento se baseia na restrição do financiamento e no aumento da oferta de EAD. “O aluno quer estudar, mas esbarra no pagamento das mensalidades. Enquanto o governo não mudar a política pública, isso não vai ser revertido. Pelo cenário hoje, quem pode pagar já está estudando, ou seja, quem tem bolsa do Prouni, Fies ou paga com recurso próprio. Há uma parcela grande represada”, diz. Para o diretor da Abmes, é preciso pensar a educação como investimento e não como gasto ou ônus. “Caso contrário, não avançaremos nem nas metas do PNE (Plano Nacional de Educação) nem no desenvolvimento do país, que passa pela educação”, alerta Caldas. O PNE, aliás, tem metas ousadas para os próximos anos. Uma delas estipula que, até 2024, a taxa bruta de matrículas na educação superior seja elevada para, no mínimo, 50% do grupo populacional de 18 a 24 anos de idade. O dado mais recente do Observatório do PNE mostra que, em 2015, o percentual brasileiro era de 34,6% e o mineiro, de 35,7%. 

O próprio secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Henrique Sartori, admite que a flexibilização das regras para as instituições pode facilitar o crescimento da educação a distância e, também, impulsionar o caminho rumo ao cumprimento das metas. Segundo ele, projeções não oficiais dão conta de que, por volta de 2032, a diferença de quase 5 milhões de matrículas existente entre os cursos presencial e a distância esteja equilibrada. “O elearning tem agradado a quem está no mercado e precisa de flexibilidade de horário. Hoje, o acesso à internet reflete na qualidade de ensino e metodologia e torna esse ensino conectado às expectativas dos alunos, além de ser mais aprazível”, afirma. “As novas gerações já estão acostumadas com a tecnologia e, por isso, encaram um ambiente escolar moldado por essa plataforma de maneira totalmente diferente. Assistir a uma videoaula ou ler um PDF é corriqueiro para esses jovens”, diz. Quando questionado sobre o risco de criação desenfreada de polos de educação depois das novas regras, Sartori rebateu dizendo que a política pública prima por padrões de qualidade. “Para existir e permanecer a instituição deve aumentar ainda mais a qualidade. O objetivo é facilitar as regras para quem tem desempenho acima da média.” 

Estudante de administração pela PUC Minas, Fernanda Paoli, de 24 anos, trocou a faculdade presencial pela virtual em meados do curso, no qual se forma este semestre. O motivo: a flexibilidade, principalmente para quem trabalhava o dia inteiro e ia para a universidade à noite. “Eu praticamente não ficava em casa. Ia só para dormir. Agora, posso estudar no dia e na hora mais convenientes. Como tenho pouco tempo para descansar, o fato de poder estar no meu ambiente é um alívio”, diz. Segundo Fernanda, depois de analisada a facilidade, outros fatores pesaram, incluindo o financeiro. A jovem conta ainda que em termos de qualidade de ensino não há diferença. “No meu caso, que consigo estudar e me organizar, é muito melhor. Mas o elearning é muito difícil, porque requer muito mais disciplina. No curso presencial, muitas pessoas ficam na sala, mas não prestam atenção. Não tenho como fingir que estou vendo a aula.”

From Jornal Estado de Minas

[ Modificado: segunda, 27 Ago 2018, 16:25 ]
 
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A característica básica do ensino a distância é sua ligação com a tecnologia, desde seus primórdios, com a utilização dos meios que se dispunha para tal feito, sendo que seu marco inicial tem registro a partir de 1833, na Suécia e a partir da segunda metade do século XIX. 

Baixo custo, flexibilidade, diversidade de oferta são alguns dos muitos atrativos de uma opção de ensino que cresce a cada dia no Brasil, nos mais diversos níveis de educação e formação. 


Surgida no século XIX essa opção de ensino tinha como objetivo preparar pessoas para a atuação profissional sobretudo aquelas que não dispunham de grandes oportunidades de acesso ao ensino convencional presencial. A característica básica da educação a distância é sua ligação com a tecnologia, desde seus primórdios, com a utilização dos meios que se dispunha para tal feito, sendo que seu marco inicial tem registro a partir de 1833, na Suécia e a partir da segunda metade do século XIX. 

Todavia, é na primeira metade do século XX, sobretudo, a partir da Primeira Guerra Mundial, que começam a surgir iniciativas mais apuradas de ensino a distância, notadamente pelo aumento da demanda social por um melhor desenvolvimento educacional e pela modernização dos meios de comunicação, sendo o rádio, o veículo mais apropriado para a popularização da iniciativa. 

Através do rádio essa modalidade de ensino começou a ganhar popularidade no Brasil e diversas iniciativas ao longo da história caracterizam a presença dessa modalidade de ensino no país. Diversos institutos e fundações ao longo dos anos optaram por dedicar seus propósitos a formação e aperfeiçoamento de pessoas por meio do ensino e aprendizagem remotos. 

Atualmente, no Brasil, o elearning já responde, segundo o Censo da Educação superior, do MEC, por mais de 5 milhões de alunos matriculados em cursos de graduação, pós-graduação e cursos livres e vem crescendo aceleradamente, a partir daí. De 2015 até hoje, houve um aumento de mais de 15% nas matrículas, ao passo que os cursos de educação presencial tiveram queda de 1,2%, com perspectivas de um crescimento ainda maior podendo chegar a 50% das matrículas, nas projeções do MEC. 

Muito do crescimento se deve à qualificação de professores para essa modalidade, devido ao fomento e incentivo dados a esse fim a partir de 2004. Com o tempo a educação a distância passou a ser vista como importante alternativa de formação e especialização e até mesmo a satisfação de uma necessidade de aprendizado contínuo sobre diversas coisas e possibilidades da vida. 

Essa perspectiva de crescimento ainda maior pode se configurar num grande momento para o EAD com o novo marco regulatório do MEC, em que instituições de pequeno porte podem abrir determinada quantidade de polos todo ano, o que por certo fará aumentar ainda mais a diversidade de ofertas de cursos. 

Pedagogia e Administração são os cursos mais procurados na modalidade, mas há também uma infinidade de cursos livres, de curta duração, destinados a formação e aperfeiçoamento profissional que podem ser encontrados nos portais destinados a esse fim, na web. 

Em tempos de crise, desemprego, mudanças na legislação trabalhista e uma série de medidas governamentais que impactam no mundo do trabalho, o desenvolvimento e aprimoramento contínuo de competências passa a ser uma necessidade premente das pessoas. Nesse sentido o ensino a distância passa a ser uma opção barata, prática e acessível para aqueles que gostam de estudar. 


From Portal Administradores - Prof. Orlando Rodrigues

[ Modificado: terça, 7 Ago 2018, 11:38 ]
 
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Com objetivo de estender o conhecimento e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional aos colaboradores, a PETROBRAS utiliza há décadas recursos de Educação à Distância (EAD). Em virtude da grande diversidade de atividades, de regimes de trabalho e dispersão geográfica, foi encontrada nessa modalidade uma forma de transmitir novos conhecimentos e promover reciclagem profissional, além de investir em atualização tecnológica.

No decorrer do tempo, o sistema de ensino à distância da PETROBRAS foi sendo aprimorado, aproveitando os recursos disponíveis em cada época. Em 1975, foi inaugurado o uso de Módulos Instrucionais. Já em 1981, entrou em operação o videotreinamento, e, sete anos depois, as Comunidades Virtuais. Desde 2001, há o Campus Virtual, ambiente disponibilizado na intranet da empresa, onde são realizados os cursos na modalidade e-learning. 


Desde o início do Campus Virtual, mais de 60 mil empregados foram capacitados em pelo menos um dos cursos disponíveis. Há cursos 100% à distância e outros no modelo híbrido, com momentos de interação presencial e de interação à distância. A dosagem de como será essa distribuição é determinada pela análise pedagógica do conteúdo e do público alvo que será atendido pelo curso. 

Entre as vantagens verificadas em adotar o e-learning, destaca-se a redução substancial de custos (deslocamento, hospedagem e salas de aula), mas também há o ganho em agilidade, que permite capacitar um público extenso em menor tempo do que quando comparado à sala de aula. Dentre os recursos oferecidos, além do e-learning, há fóruns de discussão, chat, sala de aula virtual e videoaula, entre outros. 

O processo de ensino à distância é conduzido por profissionais de Recursos Humanos, com suporte da área de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC). Em algumas situações, é possível recorrer as contratações específicas para, por exemplo, o desenvolvimento de um conteúdo de e-learning, ou para a participação de um colaborador em cursos disponíveis no mercado. Todo o gerenciamento dos conteúdos desenvolvidos é realizado internamente. Com suas características peculiares, o e-learning tem reforçado aspectos estratégicos, como a ampla disseminação de conhecimentos fundamentais para a boa atuação dos nossos profissionais.

From Petrobras

[ Modificado: segunda, 23 Jul 2018, 15:40 ]
 
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A robotização em diferentes setores, já é realidade — inclusive na área administrativa. Em vez de um funcionário de recursos humanos passar horas digitando os dados daquele monte de documentos exigidos de cada novo empregado contratado, softwares que agem como robôs inserem automaticamente as informações no sistema em frações de segundo. Essas ferramentas começam a ser testadas também para executar todas as tarefas burocráticas ligadas à contratação, como agendamento de exames, treinamentos e instalação do posto de trabalho. 


É uma tendência que se repete no jurídico, em compras, no financeiro e em outros setores das empresas. Segundo a Accenture, são atividades às quais se dedicam 30% da força de trabalho global atualmente. Com o potencial de quase todo tipo de emprego ser afetado pelas novas tecnologias, os impactos serão imensos. Outra consultoria, a também americana McKinsey, fez uma pesquisa que estima que até 2030 o desenvolvimento e a implementação de tecnologias criarão de 20 milhões a 50 milhões de novos empregos em todo o mundo.

Na outra ponta, de 400 milhões a 800 milhões de indivíduos perderão o emprego (números como esses dão força nos congressos de alguns países europeus a propostas para a criação de impostos sobre a utilização em massa de robôs e de uma renda básica universal para os desempregados devido à tecnologia). Mas, entre a elite do mercado que vai abocanhar os novos empregos do futuro e aqueles indivíduos que vão sofrer na pele a extinção de seu posto de trabalho, há um contingente enorme que vai se adaptar: de 75 milhões a 375 milhões de pessoas devem mudar de categoria ocupacional e aprender novas habilidades, dependendo da velocidade na adoção dessas novas tecnologias.

Surgem, portanto, desafios de bom tamanho para as empresas. Um deles é atrair o profissional que já tem o perfil multidisciplinar exigido pelas novas tecnologias. Mas talvez o mais importante seja treinar a força de trabalho acostumada a uma rotina implantada no início do século 20 a agir de acordo com as necessidades do século 21. Trata-se de um desafio imenso para qualquer país. Aqui, é uma tarefa hercúlea.

Oriundo do mercado financeiro, Gustavo Muller deparou com um novo habitat ao criar a Monkey Exchange, um marketplace de recebíveis. No mundo das startups, pessoas de várias tribos criam e trabalham em conjunto, até dar forma ao projeto. Desenvolvedores, especialistas em usabilidade e audiência, designers, vendedores, sócios e o próprio usuário dividem necessidades e soluções. “O desafio é, na hora de ganhar escala, manter a mesma qualidade de quando o projeto está na fase inicial”, diz Muller.

Por essa razão, a Monkey passou a patrocinar meetups, como são chamados os encontros nos quais desenvolvedores dividem suas descobertas com outros profissionais de tecnologia. “Existe uma cultura de compartilhamento de conhecimento e, depois de passar meses trabalhando num projeto, é meio natural difundir esse aprendizado”, afirma Felipe Adorno, vice-presidente de tecnologia da Monkey Exchange, que criou os encontros da startup. Como os dele, há muitos meetups ocorrendo de maneira gratuita em São Paulo diariamente.

Os organizados por Adorno recebem a cada edição mensal cerca de 80 pessoas, interessadas especificamente em desenvolvimento Java, uma linguagem de programação e plataforma computacional. Eles acontecem em lugares variados, como a escola de codificação Digital House, e em corporações, como a filial brasileira da sueca Ericsson, fabricante de equipamentos de telecomunicações. “Temos a visão da startup, mas é muito legal entender as necessidades das empresas grandes”, afirma Muller.

Foi num desses encontros que Maxwel Lidogério, em 2015, então com pouco mais de 18 anos de idade, apareceu, querendo saber mais de Java. Morador de Cidade Tiradentes, bairro no extremo leste de São Paulo, ele havia sido empacotador na Casa Negreiros Supermercados durante um programa de Jovem Aprendiz. Esperto, tornou-se o “menino do sistema” da rede paulistana, falando ao dono que entendia do assunto. Lidogério havia feito um curso de logística numa escola técnica, achando que seguiria a profissão do pai, e lá descobriu que gostava mesmo de tecnologia.

Um amigo falou sobre os meetups, e Max, como é conhecido, apareceu numa das reuniões da Monkey. Pouco tempo depois, foi contratado e logo foi considerado um dos melhores desenvolvedores da empresa. Tão bom que foi levado por um concorrente, mas acabou voltando porque gostava do clima e do desafio. Como é comum em startups, nem sempre tem de enfrentar a 1 hora e meia de trânsito entre Cidade Tiradentes e o bairro de Pinheiros, onde está o coworking em que fica a Monkey. Às vezes, trabalha a semana inteira em casa. “Além de programar, trabalhando numa fintech aprendi a investir e também entendo mais sobre negócios e logística”, diz Max, que hoje tem 21 anos e estuda análise e desenvolvimento de sistemas na Fatec, uma faculdade pública de tecnologia.

Segundo Muller, vice-presidente da startup, esse perfil de profissional com múltiplas visões do negócio — uma exigência maior, em várias áreas — é raro. “Nos Estados Unidos, os profissionais de tecnologia vão além de sua área de atuação. Eles entendem de desenvolvimento do produto, conseguem fazer a valoração do negócio e sabem fazer um pitch para vender sua ideia”, diz. “Aqui é bem mais difícil achar pessoas com esse perfil.”

Para os especialistas, o trabalhador multidisciplinar demandado pela indústria 4.0 é um artigo escasso em qualquer lugar do mundo. Uma pesquisa da OCDE indica que 50% das empresas na América Latina não conseguem encontrar trabalhadores qualificados para lidar com as novas tecnologias, em comparação com 36% de média em outros países. Dois em cada cinco jovens na região não estudam nem trabalham e 55% dos trabalhadores estão na economia informal, sem nenhum tipo de estímulo à qualificação. “A carência de mão de obra em tecnologia é global, bem como a preocupação em treinar os trabalhadores na multidisciplinaridade”, afirma Arbix, da USP.

Não é a primeira vez que o temor da obsolescência aflige os seres humanos. Mas, toda vez que uma nova tecnologia se impôs no passado, as pessoas se adaptaram — ainda que com uma dose de sofrimento para quem estava envolvido no processo. Sim, muita gente ainda vai sofrer com as dores do progresso tecnológico. É no mínimo curioso, porém, ver que até quem está na fronteira da inovação tem enfrentado perrengues prosaicos na relação homem versus máquina.

Recentemente, a montadora americana Tesla constatou a necessidade de ter humanos em fábricas de carros completamente robotizadas, depois de adiar sucessivas vezes a entrega do volume prometido ao mercado de unidades do Tesla Model 3, seu carro elétrico básico. Isso porque 90% dos carros saídos de sua linha de montagem apresentaram defeitos, como portas que não fecham direito, vazamentos e peças soltas. Elon Musk, fundador da montadora que pretendia ser a mais eficiente do mundo, usou sua conta do Twitter em abril para fazer um mea-culpa.

“A excessiva automação na Tesla foi um erro — precisamente, um erro meu. Os humanos estão sendo subestimados”, escreveu Musk na rede social. O equilíbrio entre automação e trabalho humano vem sendo testado há um bom tempo pela japonesa Toyota, criadora do processo produtivo de manufatura enxuta, um passo anterior à indústria 4.0. Ela é uma das montadoras que mais investem em automação e uma das que menos demitem. E na empresa japonesa, veja só, menos de 10% dos carros apresentam defeitos de pós-fabricação. Novamente, estamos diante de um novo mundo aberto a explorações.

From Exame Online

[ Modificado: segunda, 16 Jul 2018, 09:21 ]
 
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O Brasil, ainda não erradicou o analfabetismo. Em 2017, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística contabilizava quase 12 milhões de analfabetos, enquanto boa parte do mundo civilizado erradicou os iletrados no século 19. Assim, é necessário rapidamente capacitar os trabalhadores brasileiros, pois se atualmente não conseguem competir com os estrangeiros, imaginem com as habilidades que serão exigidas no futuro.


De acordo com um levantamento da escola de negócio Insper, de São Paulo, e da consultoria americana Oliver Wyman, em 1994, um trabalhador no Brasil gerava cerca de 25.000 dólares de riqueza por ano. O valor equivalia a 31% da produtividade americana na época, de 82.000 dólares. De lá para cá, a distância aumentou. Em 2016, ano mais recente com dados disponíveis, o brasileiro produziu o equivalente a apenas 25% do que o americano gerava. Enquanto a riqueza criada por trabalhador aqui foi de 30.000 dólares, a contribuição de cada empregado americano chegou a 121.000. Quando comparada à média da OCDE, o clube dos países mais ricos, nossa produtividade relativa caiu de 38% para 34% no mesmo período.

O retrocesso ocorreu mesmo com o fato de a escolaridade no Brasil ter dobrado desde os anos 90, indo da média de quatro para quase oito anos de estudo. Sim, melhoramos, mas os outros continuaram avançando. Enquanto na década de 90 os cidadãos de 15 anos ou mais dos países ricos tinham, em média, nove anos de estudo, agora acumulam 11 anos de capacitação.

O atraso educacional brasileiro se reflete diretamente na formação da força de trabalho. Uma pesquisa inédita da Accenture mostra que 78% dos trabalhadores aqui têm qualificação considerada média ou baixa. São essas pessoas as mais vulneráveis num momento de transição tecnológica. Por essa razão, um em cada quatro empregos corre o altíssimo risco de ser automatizado no país até 2020, de acordo com a Accenture.

Outro tanto, correspondente a quase metade dos postos no mercado de trabalho brasileiro, tem chance considerada média de seguir o mesmo caminho. O prognóstico não ajuda os 14 milhões de pessoas sem ocupação no momento. “O emprego da base da pirâmide será inteiramente dizimado ou terá os salários comprimidos”, diz o economista Glauco Arbix, professor na Universidade de São Paulo e pesquisador do Observatório de Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados.

O problema de uma força de trabalho despreparada não se resume a quem vai ter ou não emprego no futuro — o que não é pouca coisa na esfera individual —, mas se o país será capaz de fazer a transição para uma economia digitalizada. “Sem a qualificação da mão de obra, a implementação da indústria 4.0 não acontecerá na velocidade necessária e corre-se o risco de não se tirar o atraso da produtividade brasileira”, afirma o alemão Bjorn Hagemann, sócio da McKinsey e líder da prática de indústrias avançadas para a América Latina. Estudos da consultoria apontam que, em algumas áreas, a implantação das tecnologias ligadas à indústria 4.0 poderia representar ganhos de produtividade de 200% no Brasil.

Diante de tantos desafios e oportunidades que a inovação disruptiva coloca ao mercado de trabalho, algumas instituições já estão se mexendo. O Senai, que treinou mais de 2 milhões de jovens no país em 2017, começou a oferecer neste ano cursos de big data, inteligência artificial, robótica, computação em nuvem, segurança digital, manufatura aditiva e internet das coisas, entre outros. Três programas diferentes, entre eles o curso Explorando o Big Data, passaram a ser ministrados em oito estados e a entidade prepara outras unidades para ofertá-los no restante do país. Uma das empresas que querem aproveitar a nova abordagem do Senai perante a indústria do futuro é a fabricante americana de equipamentos médicos GE Health-care.

“Na área de imagens, todos os anos há novos produtos, usos, aplicações e métodos de diagnósticos de altíssima tecnologia”, diz Marcos Corona, diretor da GE Healthcare para a América Latina. “Isso representa um grande desafio em relação à educação para uma cadeia complexa, como a de saúde.” Assim, para treinar técnicos, tecnólogos, médicos e engenheiros de software, além de pessoal de manutenção, a GE fez uma parceria com o Senai na qual simuladores permitem operações virtuais de equipamentos, entre outros aprendizados. A empresa investiu 300.000 reais em um laboratório com esses equipamentos numa escola do Senai em São Paulo. A GE usa ainda uma série de aplicativos para cada especialidade da medicina, tutoriais de procedimentos e uma plataforma online de atendimento remoto acessada por mais de 1 200 alunos em treinamentos que duram 2 000 horas-aula.

O uso das tecnologias 4.0, porém, vai além do treinamento e se transforma na aquisição de novos jeitos de trabalhar. Nesse formato, as especializações de cada empregado são complementadas por quem tem outro tipo de conhecimento. 

Para os especialistas, o trabalhador multidisciplinar demandado pela indústria 4.0 é um artigo escasso em qualquer lugar do mundo. Uma pesquisa da OCDE indica que 50% das empresas na América Latina não conseguem encontrar trabalhadores qualificados para lidar com as novas tecnologias, em comparação com 36% de média em outros países. Dois em cada cinco jovens na região não estudam nem trabalham e 55% dos trabalhadores estão na economia informal, sem nenhum tipo de estímulo à qualificação. “A carência de mão de obra em tecnologia é global, bem como a preocupação em treinar os trabalhadores na multidisciplinaridade”, afirma Arbix, da USP.

Não é a primeira vez que o temor da obsolescência aflige os seres humanos. Mas, toda vez que uma nova tecnologia se impôs no passado, as pessoas se adaptaram — ainda que com uma dose de sofrimento para quem estava envolvido no processo. Sim, muita gente ainda vai sofrer com as dores do progresso tecnológico. É no mínimo curioso, porém, ver que até quem está na fronteira da inovação tem enfrentado perrengues prosaicos na relação homem versus máquina.

Recentemente, a montadora americana Tesla constatou a necessidade de ter humanos em fábricas de carros completamente robotizadas, depois de adiar sucessivas vezes a entrega do volume prometido ao mercado de unidades do Tesla Model 3, seu carro elétrico básico. Isso porque 90% dos carros saídos de sua linha de montagem apresentaram defeitos, como portas que não fecham direito, vazamentos e peças soltas. Elon Musk, fundador da montadora que pretendia ser a mais eficiente do mundo, usou sua conta do Twitter em abril para fazer um mea-culpa.

“A excessiva automação na Tesla foi um erro — precisamente, um erro meu. Os humanos estão sendo subestimados”, escreveu Musk na rede social. O equilíbrio entre automação e trabalho humano vem sendo testado há um bom tempo pela japonesa Toyota, criadora do processo produtivo de manufatura enxuta, um passo anterior à indústria 4.0. Ela é uma das montadoras que mais investem em automação e uma das que menos demitem. E na empresa japonesa, veja só, menos de 10% dos carros apresentam defeitos de pós-fabricação. Novamente, estamos diante de um novo mundo aberto a explorações.

From Exame Online

[ Modificado: quinta, 5 Jul 2018, 18:56 ]
 
Todo o mundo

O psicólogo Yanco Paternó de Oliveira, de 27 anos, tem uma sala exclusiva para atendimentos online. Desde 2017, ele incluiu sessões online com usuários para fazer terapia entre os horários de suas consultas presenciais e o trabalho que realiza em uma ONG.


Oliveira faz parte do movimento crescente de profissionais da psicologia que atendem em plataformas elearning, que permitem contato com o psicólogo por mensagens de texto, de voz e de vídeo. 

A presença dos psicólogos no mundo virtual é tão expressiva que fez com que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) atualizasse a resolução que regulamenta a atividade no mês passado. Além disso, desde novembro, para todo tipo de atendimento virtual não haverá limite de sessões - a última resolução, de 2012, limitava a 20. Com a mudança, todo profissional que faz esse tipo de consulta terá de fazer um cadastro, que será atualizado anualmente. 

"Comecei a atender em maio do ano passado e larguei um dos meus empregos em seis meses, porque dá retorno financeiro maior do que imaginava. Em termos de trabalho, tenho mais pacientes online do que no presencial, mas dá para fazer um trabalho ético e responsável", diz Oliveira. 

"Perde-se um pouco, porque a comunicação também é pelo corpo e pelo tom de voz, mas tenho pacientes que não entravam no elevador havia dez anos e, com três meses de terapia online, voltaram a entrar. Além disso, uma das funções do divã, usado no presencial, é não ver as reações do terapeuta e isso pode ocorrer no online." Ele optou por continuar o atendimento presencial e ter um local específico para consultas online. 

"A pessoa precisa ter um espaço sempre igual para que o cérebro se acostume. No presencial, há pessoas que dizem que já se sentem abraçadas ao chegar. Essa sensação tem de se reproduzir no online." 

Após uma cirurgia bariátrica, a advogada Kattie Ferrari, de 42 anos, sentiu necessidade de acompanhamento psicológico. Mas não conseguia encontrar horário para as sessões. "Fico o dia inteiro no Fórum, cumprindo prazos. Não tinha tempo, porque, para eu me deslocar até um local, seria complicado. Acho que a modernidade é para facilitar a vida", conta. 

Kattie já fez terapia presencial e diz não ver diferença no online. "Agora faço online e o terapeuta vê minhas expressões. Faço uma vez por semana, mas, caso tenha problema, posso procurá-lo." O preço, diz, também foi um diferencial.

From Revista PEGN

[ Modificado: segunda, 25 Jun 2018, 19:45 ]