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Todo o mundo

Os estudantes brasileiros podem demorar mais de 260 anos para atingir a proficiência em leitura dos alunos dos países ricos. Em matemática, a previsão é de que os brasileiros levarão 75 anos para atingir a pontuação média registrada nos países desenvolvidos. As estimativas são de um relatório sobre a crise da aprendizagem produzido pelo Banco Mundial com dados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).


O Pisa é uma prova coordenada pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplicada a cada três anos entre 35 membros da OCDE e 35 parceiros, incluindo o Brasil. Entre os itens avaliados, está o conhecimento dos alunos em ciências, leitura e matemática.

O relatório aponta que em países como o Quênia, Tanzânia e Uganda, quando se pediu aos alunos do 3º ano do ensino fundamental que lessem em inglês ou kiswahili uma frase simples como “o nome do cão é Filhote”, 75% deles não compreenderam seu significado. Na zona rural da Índia cerca de 75% dos alunos do mesmo ano não foram capazes de fazer uma subtração de dois dígitos.

Para que a aprendizagem cumpra a promessa de eliminar a pobreza e criar oportunidades para todos, o Banco Mundial aponta três recomendações de políticas públicas:

- Avaliação da aprendizagem. Segundo o estudo, só metade dos países em desenvolvimento tem dispositivos para medir a aprendizagem no final do ensino fundamental e das primeiras séries do médio;

- Fazer as escolas trabalharem para todas as crianças. O relatório propõe desde oferecer nutrição adequada até a utilização da tecnologia que ajudem os professores a ensinar e o e-Learning pode contribuir de maneira exponencial para o crescimento do ensino, por meio de tecnologias de aprendizagem adaptativa e inteligência artificial;

- Mobilizar todas as pessoas interessadas na aprendizagem, como a comunidade;

O relatório aponta casos de países que investiram em estratégias de aprendizagem e tiveram sucesso em avaliações internacionais. Um exemplo citado é a Coreia do Sul, país que foi assolado pela guerra e tinha taxas de alfabetização muito baixas em 1950, mas conseguiu universalizar o acesso de matrículas em 1995 e atingir altos índices em rankings de aprendizagem.

From G1 - Educação

 
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As instituições privadas concentram a maior quantidade de vagas ociosas – 2,89 milhões (85,3% delas) –, enquanto nas públicas elas estão na casa do meio milhão (14,7% das cadeiras que foram deixadas). O Censo aponta motivos diversos para essa ociosidade: matrículas trancadas, desvinculadas, transferência para outro curso na mesma instituição e alunos falecidos.

Mas os números mais gritantes se referem às matrículas desvinculadas, que dizem respeito a estudantes desistentes e desligados, ou seja, alunos que por iniciativa da instituição tiveram a vaga cancelada – por abandono, descumprimento de alguma condição ou desligamento voluntário (quando sai da faculdade, mas não formaliza o cancelamento). No Brasil, as desvinculadas somaram 2.029.687 (17,7%) do total de 11,4 milhões de alunos matriculados. Dessas, 86% estavam na rede privada.

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O diretor-executivo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Sólon Caldas, atribui boa parte das desistências ao cenário econômico e às mudanças nas políticas federais de bolsa e financiamento estudantil. “Os números do censo mostram uma queda significativa nas matrículas de novos ingressantes entre 2014 e 2015, e mais ainda de 2015 para 2016, quando tivemos um crescimento negativo no ensino presencial em decorrência da falta de financiamento para os alunos que não têm condições de arcar com o investimento em educação”, afirma.

Ainda segundo Caldas, desde 2015, quando houve mudanças nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), a adesão e o cumprimento dos critérios de acesso ficaram mais difíceis para os alunos. Para Sólon Caldas, as mudanças ocorridas também deixaram de permitir que o aluno com dificuldades financeiras pudesse recorrer ao financiamento, o que fez a evasão aumentar e deixar milhões de alunos fora do sistema. “Com o agravamento da crise econômica e política que o país está passando, aliada ao aumento do desemprego, esse cenário fica cada vez mais difícil e, consequentemente, o sonho do ensino superior mais distante para muitos brasileiros.”

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De acordo com Andréa Ramal, consultora em educação e doutora em educação pela PUC-Rio, “o principal motivo para esses números é a evasão, a desistência. E, dentro disso, a falta de base do ensino médio para cursar a universidade. Na engenharia, por exemplo, só 50% dos alunos se formam. Porque falta matemática. Como o estudante fará a disciplina de cálculo sem base nessa matéria? Há também outros fatores associados: problemas relacionados a recursos financeiros e um financiamento do governo que não deixa o aluno tranquilo por causa de uma ameaça constante de descontinuidade. Mas, de longe, a evasão por falta de base escolar é a principal. As faculdades estão tomando medidas, como implementar curso de nivelamento com foco em português e matemática, disciplinas que os estudantes deveriam ter trazido do ensino médio. No caso da universidade pública, é um desperdício de recursos. Não podemos também esquecer que o Brasil atravessa uma crise econômica séria, com 12 milhões de desempregados. A pessoa faz uma faculdade para ter uma chance no mercado, mas acaba não tendo como pagar. Por isso, fica o alerta para o Brasil começar a olhar mais para a educação básica. Levantamento recente mostra que o governo gasta R$ 3 mil por ano com cada aluno nessa fase. Na universidade, esse montante vai para R$ 11 mil. Ou seja, a pirâmide está totalmente invertida. Não olha para o nível básico e perde recurso na educação superior por causa disso. Não adianta encher as universidades se, depois, vai ocorrer esse esvaziamento.”

From EM.com.br