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Segundo a tese do americano Marshall Van Alstyne, professor da Universidade de Boston e autor de A Revolução das Plataformas, o produto, por melhor que seja, nunca vai vencer uma plataforma.

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No começo desse mês, Marshall esteve no HSM Summit 2017 em São Paulo, realizando uma palestra sobre como empresas tão novas têm criado disrupções profundas em todos os setores. A seguir, alguns trechos da palestra

O Uber é hoje mais valioso que a BMW, o Airbnb caminha para se tornar mais valioso que o Marriot, o Facebook já vale hoje duas vezes mais que a Disney. Todas essas novas empresas ultrapassaram, em pouquíssimo tempo, gigantes tradicionais nos setores automotivo, hoteleiro e de entretenimento, porque foram construídas em cima de plataformas e não produtos.

O presente e o futuro dos negócios, se resumem a saber gerenciar plataformas e as empresas que estão vencendo hoje, são aquelas que mudaram o modelo de negócios fundamentado há décadas, pois ganham dinheiro e fazem sucesso a partir da interação com os clientes e suas respectivas comunidades e não com a venda, em escala, de produtos inovadores.

Um exemplo desse sucesso, é a Warby Parker, empresa americana fundada em 2010 que vende óculos online. A empresa envia cinco armações de óculos para os clientes que postam e compartilham cinco fotos pedindo opiniões. Os amigos, o ajudarão a escolher o melhor óculos, ele faz a compra e, de quebra, divulga a mensagem da empresa. Neste caso, a inovação não está em oferecer o melhor e mais bonito óculos, mas na forma como a empresa cria a interação de seu produto com o cliente.

Uma outra característica dessas empresas, aprendemos nas aulas de logística, que a cadeia de valor é um modelo de negócios, visto que o processo inclui pegar insumos, agregar valor e entregar ao cliente. Entretanto, essas empresas de plataforma mudaram completamente isto, pois a produção e o suprimento ficam de fora e os custos são menores para estruturação do negócio. O Uber não tem carros e nem motoristas, o Airbnb tem 40 mil locais para locação em Paris sem ter comprado uma casa, isso demonstra que as empresas tradicionais cresceram olhando a demanda da oferta e esse é o problema, uma vez que o custo inicial para criar uma oferta, é altíssimo. No caso do Uber e da Airbnb, a preocupação maior, é em atrair usuários e criar um ecossistema que se retroalimenta pelos próprios usuários.

Diante disso, é possível criar plataformas em empresas que vendem produtos simples ou tradicionais, como as empresas americanas que vendem sal e pimenta, que por meio da plataforma sugerem e compartilham receitas, os usuários copiam as receitas como base para criar as suas próprias, colocam o tempero a gosto e depois, compartilham com os outros.

Neste cenário, Marshall defende que o maior erro das empresas é matar o efeito de rede que seus produtos e serviços podem gerar. Por exemplo: a IBM errou ao acordar com os seus clientes do produto Watson, que tudo que fosse criado por eles seria de propriedade dela, o resultado foi a baixíssima adesão. Isso ocorreu, porque é necessário se perguntar em como criar ecossistema e depois se preocupar como monetizar. Além disso, é preciso focar na qualidade e não jogar todo o risco do negócio para o usuário, pois de nada adianta crescer, montar uma ampla base, se o serviço oferecido não for bom e "expulsar" as pessoas.

O Facebook ganhou muito ao abrir a plataforma para desenvolvedores oferecerem jogos, como o sucesso do Farmville. Porém, quando o Zynga Poker começou a irritar os usuários com virais, o facebook o expulsou da plataforma.

Para Marshall, o difícil é convencer gestores e CEOs a colocá-lo em prática em nome da inovação, já que é preciso antes de tudo ter uma visão de fora para dentro. Nesta linha, o profissional de finanças precisa pensar de forma estratégica, nos ativos que estão na comunidade e o de TI precisa saber como integrar todas as áreas, fechar-se em núcleos ou dentro da própria empresa é fatal. 

A Sony tinha tudo para ser a Apple, porém a empresa japonesa por muitos anos deteve o monopólio dos sistemas de entretenimento, os melhores jogos (Playstation), conteúdo (Sony Pictures), computadores e sistemas. Hoje vale apenas US$ 71 bilhões, enquanto a Apple chegou a US$ 800 bilhões, isso ocorreu porque suas inovações funcionavam como silos de produtos, tudo estava desconectado, não havia um ecossistema sendo criado. Cada produto, passou a concorrer com outros produtos da empresa e não por usuários. Entretanto, a Apple entre as décadas de 80 e 90, cometeu o mesmo erro, por isso quase faliu. Mas, em 2000, a Apple entendeu para onde deveria caminhar.


From Época Negócios.

[ Modificado: terça, 8 Ago 2017, 11:15 ]