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O grupo de ensino Estácio anunciou semana passada, a demissão de 1.200 professores. A demissão em massa é o mais novo episódio da maciça reestruturação de custos não só da instituição de ensino fluminense, como de todo o setor de educação superior. 

Segundo Romário Dável, sócio da consultoria especializada em educação Atmã Educar, os grupos de educação têm gastos cada vez maiores com salários de seus professores. Muitos deles têm políticas pouco sustentáveis, de aumentos automáticos com bases em titulações. Com o sucesso do grupo Kroton, que consegue gastar menos com salários, todos os grandes grupos têm sido pressionados a rever a estratégia.

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Ainda de acordo com Dável, os cortes da Estácio, neste sentido, são apenas a ponta do iceberg de um movimento de enxugamento que, pode ganhar força ao longo de 2018. Segundo dados da Atmã, a Kroton gasta 19,8% de sua receita para gastos com professores, a média de instituições isoladas está em 41% e a Estácio gasta em torno de 40%. 

“A Estácio é uma instituição antiga e com muitos professores na titulação de doutor. O movimento é uma nítida substituição de professores caros por professores baratos. Hoje existe fartura na oferta de docentes titulados”, diz Davel. 

Oficialmente, a empresa afirma que não se trata de uma mudança para contratos na nova legislação trabalhista, pois os novos professores também serão contratados pela CLT. “É simplesmente uma oportunidade de geração de valor orçamentário. Tínhamos professores descolados da média hora/aula e professores sem titulação ganhando o mesmo que professores com doutorado”, afirma um executivo do alto escalão da Estácio. Segundo a companhia, é um número relativamente pequeno de ajustes, uma vez que a empresa tem mais de 10.000 professores contratados. 

O modelo da Kroton, que vem sendo o novo parâmetro do setor, inclui mais professores por sala de aula e uma estrutura de cursos que permite, por exemplo, que alunos de diferentes graduações assistam juntos aulas que constem em vários currículo. Um forte braço de ensino à distância, com menos custos fixos com professores, também é um diferencial da Kroton, e é uma prioridade para os principais grupos de educação do país. A Kroton, o maior grupo de ensino do mundo, tem conseguido conciliar essa estrutura de custos enxuta com qualidade de ensino dentro da média de seus principais concorrentes.

A EXAME apurou que a Estácio está aumentando o número de alunos por professor em sala da aula, como forma de reduzir custos. Para executivos da Estácio, isso não afetará a qualidade se as universidades tiverem ensino padronizado. A empresa também reduziu o orçamento de marketing e mudou a sede de um prédio de escritórios para dentro de um de seus campi. 

Desde que a fusão com a Kroton foi negada pelo Cade, em junho, a companhia adotou uma série de medidas para cortar custos, sob a gestão de Pedro Thompson. Demitiu 125 nomes da diretoria e do segundo escalão da gestão, encerrou o departamento de inovação, e fechou três campi, que atendiam 10.000 alunos.  

Junto com um aumento no preço dos cursos, e um novo plano de crescimento em ensino básico, as medidas ajudaram o valor de mercado da companhia dobrar em cinco meses, para cerca de 9 bilhões de reais. O anúncio das demissões também parece ter agradado os investidores: os papeis da companhia subiram 2,66% no dia.

From Exame

[ Modificado: terça, 12 Dez 2017, 17:13 ]