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Depois do veto à fusão, entre a Estácio e Kroton,  pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), há cerca de um mês, a expectativa era de que Chaim buscaria assumir o controle da Estácio. No dia 17, porém, ele vendeu boa parte de suas ações para a gestora de private equity Advent, reduzindo sua fatia a 1,25%.

Chaim Zaher

Com o acordo, embolsou cerca de R$ 430 milhões. E, com o caixa reforçado, vai voltar a priorizar o segmento no qual fez boa parte de sua fama: a educação básica. “Vou aplicar tudo no meu negócio”, diz Chaim. Ele já vinha buscando parceiros para a expansão do SEB, que faturou R$ 600 milhões, em 2016. “Minha ideia é investir em todos os segmentos da educação básica.” Um dos principais e mais recentes projetos é o lançamento de uma bandeira com mensalidades mais acessíveis, na faixa de R$ 500 a R$ 600.

Fruto de pesquisas que vêm sendo realizadas há mais de um ano, a iniciativa prevê a montagem de quatro escolas já em 2018. A princípio, a capital paulista e cidades do interior do estado, como Sorocaba, receberão os primeiros colégios. Em cinco anos, a meta é ter ao menos uma unidade em cada capital. A estratégia da nova marca poderá combinar crescimento orgânico e aquisições. O grupo está perto de fechar três aquisições em segmentos nos quais já atua. A primeira, em Florianópolis, abrigará um colégio voltado à aprovação para o vestibular.

As outras duas, no Recife e no Rio de Janeiro, receberão unidades do Pueri Domus, focado em alunos de maior poder aquisitivo. A capital carioca é também um dos próximos pontos no mapa da Concept, bandeira lançada nesse ano, em Ribeirão Preto (SP) e Salvador. Aposta de vanguarda do grupo e com mensalidades entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, a escola bilíngue investe em uma metodologia baseada em conceitos como criatividade. Além do Rio, a Concept chegará a São Paulo, em 2018. E já tem um terreno adquirido para a construção de uma unidade no Vale do Silício.

Os investimentos no exterior também incluem a Maple Bear, rede canadense de escolas bilíngues. Desde fevereiro, Chaim é o principal franqueador da marca na América Latina. Um dos planos é abrir uma unidade em Beirute, no Líbano. No Brasil a estratégia da bandeira passa pelo lançamento de uma escola trilíngue, em São Paulo. Com ensino em português, inglês e árabe, o projeto deve contar com a parceria do Monte Líbano, tradicional clube da comunidade árabe na capital paulista. “Tenho que me defender dos predadores”, diz o empresário. “Agora, todos estão descobrindo essa galinha dos ovos de ouro.”

Com uma receita estimada de aproximadamente R$ 55 bilhões, ao segmento de educação básica vem sendo apontada como a próxima fronteira de consolidação do setor no País. Por trás dessas projeções está o interesse crescente de fundos e empresas estrangeiras, como a Avenues, escola infantil e de ensino fundamental com mensalidades na faixa de R$ 7 mil e que lançou, neste ano, em São Paulo, sua primeira unidade fora dos Estados Unidos. O segmento também vem atraindo cada vez mais grupos brasileiros, como a própria Kroton, que já atua nessa vertente, mas com maior presença em sistemas de ensino.

A “volta” à educação básica não significa que o ensino superior será deixado totalmente de lado por Chaim. Um dos braços do SEB no setor é a Dom Bosco, em Curitiba, que acaba de aprovar um plano de expansão de 150 polos de ensino a distância. No entanto, o empresário admite que sua grande aposta residia, de fato, na Estácio. “Saí frustrado, porque o grupo tem potencial para ser uma nova Kroton”, diz. Ele conta que, após o veto do Cade, sua ideia inicial era ampliar a participação na companhia.


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